A diverticulose do cólon é uma condição extremamente comum, principalmente em indivíduos com mais de 50 anos. Ela se caracteriza pela presença de pequenas bolsas ou saculações — os divertículos — que se formam na parede do intestino grosso, especialmente no cólon sigmoide. Na maioria das vezes, esses divertículos são assintomáticos e descobertos incidentalmente em exames como a colonoscopia. No entanto, em uma parcela dos pacientes, os divertículos podem se tornar sintomáticos, mesmo na ausência de inflamação aguda. Essa condição é denominada doença diverticular sintomática não complicada (SUDD, na sigla em inglês).
A SUDD é caracterizada por dor abdominal crônica ou recorrente, geralmente localizada no quadrante inferior esquerdo, associada a alterações do hábito intestinal, como constipação ou diarreia. Diferentemente da diverticulite aguda, não há sinais clínicos ou laboratoriais de inflamação, e os sintomas persistem por semanas ou meses. Segundo a literatura, “a SUDD representa uma forma de apresentação clínica da diverticulose em que os pacientes têm sintomas atribuíveis aos divertículos, mas sem evidência de diverticulite”.
Um dos grandes desafios clínicos é diferenciar a SUDD da síndrome do intestino irritável (SII), já que ambas compartilham sintomas semelhantes, como dor abdominal, distensão e alteração do trânsito intestinal. No entanto, há algumas diferenças importantes: na SUDD, a dor tende a ser localizada, mais intensa, frequentemente pós-prandial e aliviada pela evacuação, além de ocorrer predominantemente em pacientes mais velhos. Na SII, os sintomas são mais difusos, associados a fatores psicossociais, e geralmente se iniciam em pacientes jovens. Outro ponto relevante é que, na SUDD, os sintomas costumam ser mais persistentes e menos influenciados por estresse emocional do que na SII.
Do ponto de vista fisiopatológico, a SUDD pode estar associada a fatores como disbiose intestinal, inflamação de baixo grau na mucosa peridiverticular e distúrbios da motilidade colônica. Além disso, acredita-se que alterações sensoriais no cólon possam aumentar a percepção dolorosa em pacientes com diverticulose sintomática. Estudos demonstram que “há evidência de inflamação subclínica e alterações na microbiota que diferenciam a SUDD da SII”.
O tratamento da SUDD envolve medidas dietéticas, farmacológicas e, em casos selecionados, acompanhamento psicológico. A dieta rica em fibras é recomendada para melhorar o trânsito intestinal e reduzir a pressão intraluminal. Em alguns casos, pode-se utilizar ciclos intermitentes de antibióticos não absorvíveis, como a rifaximina, e anti-inflamatórios intestinais, como a mesalazina, visando reduzir a inflamação de baixo grau. “Estudos sugerem que o uso cíclico de rifaximina associado a fibra pode aliviar os sintomas e prevenir recorrência”. A diferenciação correta da SUDD em relação à SII é fundamental para evitar tratamentos inadequados e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Em resumo, embora a diverticulose seja frequentemente silenciosa, ela pode manifestar-se de forma sintomática, sem inflamação evidente, configurando a SUDD. Reconhecer essa doença e diferenciá-la da síndrome do intestino irritável permite uma abordagem terapêutica mais precisa, com melhores resultados e maior satisfação para o paciente.
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Cirurgia Geral e Coloproctologia
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