A proctite infecciosa é uma inflamação aguda ou crônica da mucosa retal causada por agentes infecciosos, afetando principalmente indivíduos com práticas sexuais de risco ou imunossuprimidos. Essa condição representa cerca de 10-20% dos casos de proctite em Proctologia, com aumento notável em populações HSH (homens que fazem sexo com homens) devido a infecções sexualmente transmissíveis. Sintomas incluem dor intensa ao defecar, sangramento retal franco, secreção mucopurulenta, tenesmo (sensação de evacuação incompleta) e, em casos graves, febre e diarreia. Sem tratamento, pode evoluir para abscessos, Fístulas ou sepse.
Diversos patógenos desencadeia a proctite infecciosa, divididos em categorias principais:
- Bactérias: Neisseria gonorrhoeae (gonorreia retal, com ulcerações friáveis e exsudato purulento), Chlamydia trachomatis (frequentemente assintomática, mas com proctite linfogranulomatosa em sorovares L1-L3), Treponema pallidum (sífilis) e Clostridium difficile (pós-antibióticos, com pseudomembranas visíveis na sigmoidoscopia).
- Vírus: Herpes simplex vírus (HSV-1/2, causando vesículas dolorosas e ulcerações profundas), citomegalovírus (CMV, comum em HIV avançado, com inclusões intracitoplasmáticas na biópsia) e, raramente, HPV.
- Parasitas e fungos: Entamoeba histolytica (amebíase, em viajantes ou endêmicas), Giardia lamblia e Candida em imunodeprimidos.
Fatores de risco incluem sexo anal receptivo desprotegido, múltiplos parceiros, imunodeficiência (HIV, quimioterapia), uso indiscriminado de antibióticos e higiene anal precária. No Brasil, surtos de gonorreia e clamídia retal cresceram 30% nos últimos anos em grandes centros como São Paulo.
Os sintomas surgem 2-14 dias pós-exposição, variando por agente: gonorreia causa prurido e pus amarelo; herpes, dor intensa; CMV, sangramento crônico em imunossuprimidos. Exame físico revela mucosa eritematosa, edemaciada e ulcerada no canal anal.
Diagnóstico requer abordagem multimodal:
- Anamnese sexual e histórico de ISTs.
- Proctoscopia/Anuscopia para visualização direta.
- Swabs retais para cultura bacteriana, PCR para clamídia/gonorreia/HSV e sorologias.
- Biópsia retal para histopatologia (ex.: inclusões virais no CMV).
Diferencia-se de proctite idiopática (Crohn, Retocolite), isquêmica ou medicamentosa por positividade microbiológica.
O manejo é etiológico e sintomático, com alta taxa de cura (>90% em imunocompetentes):
- Gonorreia/Clamídia: Ceftriaxona 500mg IM + Azitromicina 1g VO (Ceftriaxona 1g em resistentes); Doxiciclina 100mg BID x7 dias para LGV.
- Herpes: Aciclovir 400mg TID x7-10 dias; Valaciclovir em recorrentes.
- CMV: Ganciclovir IV 5mg/kg BID x14-21 dias, seguido de Valganciclovir VO.
- Amebíase: Metronidazol 750mg TID x10 dias + Paromomicina.
Suporte inclui Mesalazina retal (1g/dia) para alívio inflamatório, banheiras de assento e dieta leve. Hospitalização para desidratação ou sepse.
Prevenção primária envolve preservativos em sexo anal (reduz 70% ISTs), PrEP para HIV, vacinação HPV/herpes (quando disponível) e higiene pós-coito. Secundária: rastreio anual em grupos de risco (Colonoscopia + PCR ISTs a partir dos 40 anos ou sintomas).
A proctite infecciosa compromete qualidade de vida por dor crônica, estigma e recorrências, mas tratamento precoce restaura função normal em semanas. Procure proctologista ao primeiro sangramento ou dor persistente – detecção precoce evita complicações graves como incontinência ou neoplasia.
Não adie o cuidado com a sua saúde.
A prevenção e o diagnóstico precoce são seus maiores aliados!

Cirurgia Geral e Coloproctologia
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