O prurido anal, também conhecido como coceira anal, é uma queixa frequente na prática clínica. Trata-se de uma sensação desconfortável que leva à necessidade de coçar a região perianal, podendo evoluir para dor, ardência e lesões locais. Embora seja um sintoma benigno, sua persistência pode comprometer significativamente a qualidade de vida do paciente. A compreensão das causas — primárias ou secundárias — e o manejo terapêutico adequado são fundamentais para a resolução eficaz do quadro.
Do ponto de vista etiológico, o prurido anal pode ser classificado como primário (idiopático) ou secundário. O prurido primário é aquele em que não se identifica causa evidente, mesmo após investigação criteriosa. Essa forma representa até 50% dos casos e está frequentemente associada a hiper-higiene (uso excessivo de papel higiênico), fricção excessiva, uso de sabonetes irritantes e umidade local prolongada. “Na maioria dos casos, trata-se de um prurido idiopático, cuja principal causa é a irritação local secundária a hábitos de limpeza exagerados”.
Já o prurido anal secundário tem uma causa definida e deve ser cuidadosamente investigado. Entre as etiologias locais, destacam-se: Hemorroidas, Fissura anal, Fístulas, infecção por fungos (candidíase), dermatites e infecções sexualmente transmissíveis. Em crianças, a oxiuríase (infestação por Enterobius vermicularis) é uma causa importante. Outras causas incluem doenças dermatológicas (psoríase, líquen escleroso), alterações sistêmicas (diabetes, doenças hepáticas) e até Tumores Anais. “É essencial excluir doenças anorretais e dermatológicas que possam atuar como fator causal do prurido anal”.
O tratamento do prurido anal depende da causa subjacente. Nos casos idiopáticos, a base da terapêutica está na educação do paciente e na correção de hábitos que perpetuam o quadro. A higiene local deve ser suave, preferencialmente com água morna e sabão neutro, evitando-se papel higiênico seco e sabonetes perfumados. Após a limpeza, a região deve ser secada com cuidado, sem fricção, de preferência com toalha macia ou papel absorvente.
A dieta também exerce papel importante, especialmente no prurido associado a aumento da umidade ou escape fecal. Evitar alimentos irritantes como pimenta, café, chocolate, bebidas alcoólicas e frutas cítricas pode trazer melhora significativa dos sintomas em muitos pacientes. Além disso, a regulação do hábito intestinal e o controle da consistência das fezes — evitando tanto constipação quanto diarreia — são medidas fundamentais.
No que diz respeito ao tratamento medicamentoso, podem ser utilizadas medicações tópicas, como pomadas com efeito barreira (óxido de zinco), corticosteróides de baixa potência por curto prazo e cremes antifúngicos ou antibióticos, quando indicado. Em casos de prurido refratário, pode ser necessário o uso de medicamentos antipruriginosos por via oral, sempre sob supervisão médica.
Por fim, nos casos em que há doença de base identificada (como hemorroidas ou fissuras), o tratamento específico deve ser instituído. A resolução da condição primária costuma levar à melhora do prurido anal. “O tratamento deve ser direcionado para a causa primária, e as medidas locais devem sempre ser associadas”.
Em resumo, o prurido anal é um sintoma comum, multifatorial e que exige abordagem individualizada. A correta diferenciação entre formas primárias e secundárias, aliada à adoção de medidas de higiene, ajustes alimentares e terapias tópicas específicas, constitui a base para um tratamento eficaz e duradouro.
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Cirurgia Geral e Coloproctologia
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